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Estudante do IFSul conquista o único ouro de Pelotas na Obmep 2019

MÉRITO

Luiz Eduardo Richardt de Azevedo repete o desempenho de 2017 e torna-se bicampeão da competição
publicado: 09/12/2019 10h56, última modificação: 09/12/2019 10h56

Depois da prata em 2018, o estudante do curso técnico em eletrônica do câmpus Pelotas, Luiz Eduardo Richardt de Azevedo, mostrou mais uma vez que competições estudantis envolvendo cálculos realmente são a sua especialidade. Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) deste ano, ele faturou mais uma medalha de ouro para a sua galeria, a única entre as instituições de ensino da cidade, repetindo o resultado de 2017. Ao todo, mais de 18 milhões de alunos de escolas públicas e privadas de todo o país participaram da edição 2019.

“Achei a prova bem fácil, mas também achei que estava bem mais confiante pela experiência acumulada, por já ter participado de outras Obmeps. Não me lembro de ter tido dificuldade em alguma questão”, comenta o bicampeão Luiz Eduardo, que competiu no nível 3, destinado a estudantes do ensino médio.

Em suas palavras, Luiz Eduardo transforma a Obmep, um dos eventos mais concorridos do país envolvendo matemática, em um teste simples. De fato, para ele, que sempre foi um apaixonado pela área das exatas, as provas da olimpíada realmente parecem não ser um bicho de sete cabeças. Contudo, o estudante destaca que apesar do fator inspiração, é necessário também muita transpiração.

“Essas competições exigem muito esforço, muito estudo. Para cada olimpíada há uma abordagem diferente, de forma que, muitas vezes, abri mão de uma olimpíada por causa de outra, até porque não tem como agarrar o mundo inteiro de uma vez. Colher os frutos disso é muito gratificante, é ver que todo meu esforço não foi em vão”, observa.

Além da prata e dos dois ouros na Obmep, Luiz Eduardo também foi prata na edição 2017 e 2019 da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), bicampeão da Olimpíada Gaúcha de Física (OGF) – 2017/2018, e ouro na Olímpiada Regional de Matemática do IFSul (ORM-IFSul) em 2017.

Ele está se formando, neste semestre, no curso técnico em eletrônica, mas ainda não sabe qual faculdade vai seguir. Ainda assim, já foi aprovado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o curso de economia e aguarda a realização da segunda fase do vestibular do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), considerado um dos mais difíceis do país.

Resultados

As pratas deste no foram para Diogo Marth (eletrônica) Bruno Fernandes (eletrônica), Rikelme Griep (edificações) e Iago Rivero Dutra (química). Já o único bronze foi conquistado pela estudante Nicole Lemons de Vasconcelos quando ainda estava no técnico em química – se formou no semestre passado e agora está cursando engenharia elétrica no câmpus Pelotas.

Chama atenção o feito de Nicole na Obmep. Pelo segundo ano consecutivo, ela conquistou o bronze nesta competição e foi a responsável pela quebra do jejum de medalhas entre as meninas do câmpus Pelotas. As últimas haviam sido conquistadas em 2007, com Mariana Müller Barcelos e Priscilla Ambrosi - as duas de bronze.

“É uma pena que a participação feminina no câmpus seja tão pequena. Tem muitas meninas ótimas que não acreditam no seu potencial na área de exatas, mas está aumentando o número de meninas com menções honrosas, e isso é muito bom. Eu espero que essas medalhas as incentivem a participar cada vez mais dessas competições”, ressalta a estudante, que estreou na Obmep em 2015 e, naquela oportunidade, levou para casa uma menção honrosa.

Em relação à sua performance na prova deste ano, Nicole acredita que poderia ter ido melhor. Segundo ela, alguns “erros bobos” e a falta de tempo acabaram dificultando a busca por um resultado mais positivo na competição.

“A prova foi ótima, eu gosto muito do jeito que eles desenvolvem as questões para uma parte mais lógica, e não só conhecimentos técnicos da matemática. Eu poderia ter me saído melhor, errei alguns detalhes bobos. Faltou atenção na hora de escrever a justificativa dos meus cálculos, acabei escrevendo algumas coisas que se contradiziam. Por causa da falta de tempo ao terminar, não pude revisar”, analisa.

Vidrada em matemática desde pequena, Nicole já ganhou ouro na ORM-IFSul em 2017 e primeiro lugar na Mostra Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia (Mostrarob) do mesmo ano, na área de matemática e física, sendo classificada para a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), realizada anualmente em Novo Hamburgo (RS).  Com relação aos estudos, ela afirma que não se planeja muito para as competições.

“Na verdade, eu não me planejo, eu só vou lá e faço a prova. Às vezes, eu pegava algumas listas do Poti (Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo, que acontecem no câmpus Pelotas), mas raramente. No ano passado fui monitora de matemática, o que me ajudou a revisar vários conteúdos importantes para a prova”, diz.

A estudante é bolsista do PIC desde 2017 e participa atualmente do Programa Mentores, iniciativa lançada há um ano pela Obmep que permite a alunos do PIC estudar assuntos avançados em diversas áreas, com tópicos que envolvem direta ou indiretamente a matemática.

“Em 2020, eu pretendo trocar a engenharia elétrica pela engenharia química porque gosto da área em que fiz o técnico, e em especial a engenharia porque tem bastante cálculo e física”, adianta Nicole.

Recorde

Mais de 18 milhões de estudantes de escolas públicas e privadas participaram da Obmep 2019, abrangendo 99,71% dos municípios do país. Este ano, 33 alunos do câmpus Pelotas foram aprovados na segunda fase, no nível 3, destinado a alunos do ensino médio. Destes, 29 receberam prêmios, sendo um ouro, quatro pratas, um bronze e 23 menções honrosas.

“Foi um recorde se comparado a edições anteriores da Obmep. Fazendo a leitura dos resultados, podemos observar um maior número de premiados e também voltamos a ter prêmios de ouro e prata. Outro dado interessante é que dos 33 alunos que fizeram a segunda fase, 29 foram premiados. Com isso, teremos mais bolsas de iniciação científica do PIC (Programa de Iniciação Científica) e PICME (Programa de Iniciação Científica e Mestrado) em 2020”, avalia o professor Julio Mohnsam, um dos responsáveis pela preparação dos estudantes no câmpus Pelotas.

Na avaliação do grupo dos professores do câmpus Pelotas, o preparatório para a Obmep foi o diferencial em 2019, pois todos os alunos que fizeram o curso com frequência foram premiados. Segundo Mohnsam, o projeto será mantido em 2020 e deve credenciar novos docentes.

“Este projeto foi registrado no câmpus Pelotas e contou, além de mim, com a colaboração dos professores Mauro Bartz (coordenador), Seldomar Ehlert, Iuri Rocha e Cassio Pazinatto. Não podemos deixar de agradecer também o apoio dos professores da Coordenadoria de Matemática e do professor Rony Soares, que por muitos anos coordenou a Obmep aqui no câmpus”, finaliza Mohnsam.

Criada em 2005 para estimular o estudo da matemática e identificar talentos na área, a Obmep é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras, realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e promovida com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

É composta por duas fases, nas quais os competidores são divididos conforme o nível de escolaridade: nível 1 (6º e 7º anos do ensino fundamental), nível 2 (8º e 9º anos do ensino fundamental) e nível 3 (ensino médio).

 

Obmep 2019 – Menções Honrosas

Tiago Borba Souto Mayor (química)

Matheus da Costa Schwantz (edificações)

Vitor Guez Abrantes Marques (eletrônica)

Alisson Fehlauer Spern (química)

Gabriel Schwartz Schelinn (química)

Rodrigo Chaves Curi (comunicação visual)

Caetano Pradiee Martins (eletrônica)

Emily Bonow da Silveira (química)

Mateus Silveira Xavier (eletrônica)

Beatriz Palla Sanches (química)

Eduardo Rodrigues Zurschimiten (eletrônica)

Hannah Lerm Lörsh (comunicação visual)

Camile Rosin de Sousa (eletrônica)

Isaac Amaral Galeao da Rosa (eletrônica)

Renan Terra de Oliveira (eletrotécnica)

Klaus Rosa Zielke (eletrônica)

Adriel Leal Aires (eletrônica)

Anita Amaral Rickes (química)

Camilly Pereira Scherer (eletrônica)

Eliza Gutierres Ávila (comunicação visual)

Gabriel Morales Viana (edificações)

Kauane Ferreira Marques (química)

Adrew Borges de Campos (eletrônica)